Instituto Ativa Brasil

03/11/2014

Presidente do Instituto ATIVA conta a sua trajetória como empreendedor social em entrevista ao Jornal Estado de Minas


AUTÊNTICO TRANSFORMADOR SOCIAL

Por Augusto Pio

Jornal Estado de Minas – Publicado em 02 de novembro de 2014

"Nossa grande dificuldade é manter a captação dos recursos financeiros compatível com as demandas e expectativas geradas. Quando se trata de investimentos sociais, é muito triste ter que encerrar um projeto por falta de recursos"

 

Formado em tecnologia da informação pela PUC Minas e com MBA executivo em gestão empresarial pela Fundação Getulio Vargas, o belo-horizontino Christiano Rocco, de 37 anos, fundou a Associação Universidade Ativa, com o objetivo de cadastrar estudantes universitários para a realização de trabalhos voluntários. A Universidade Ativa alcançou grande destaque ao realizar eventos culturais gratuitos de alto impacto que mobilizaram milhares de estudantes em prol de causas sociais. Entre os trabalhos mais significativos estão os projetos Universitários na Paz e Universitários na Luta contra a Fome, que arrecadaram, juntos, mais de 300 toneladas de alimentos e possibilitaram o cadastramento de 3 mil universitários que, posteriormente, foram encaminhados para a realização de trabalhos voluntários em diversas entidades sociais do nosso estado. “O caminho para uma atuação mais ampla ocorreu quando decidimos compartilhar nossas experiências e conhecimento para prestar suporte e consultorias gratuitas para ONGs de outros estados”, conta. Casado e com uma filha de 11 anos, Rocco diz que esse trabalho acabou despertando o interesse de grandes investidores, ganhando projeção nacional. “Foi nesse momento que alteramos a nossa razão social para Instituto Ativa Brasil (IAB) e passamos a atuar em todo o país”, revela. 


O que o motivou a criar um projeto que envolvia estudantes universitários para a realização de trabalhos voluntários?

A maioria dos estudantes em fase final das suas graduações precisa realizar estágios obrigatórios como forma de complemento da grade curricular. Como estava envolvido no movimento estudantil, tinha contato com alunos de vários cursos e, ao mesmo tempo, atuava como voluntário em programas sociais de extensão universitária. Nesse contexto, comecei a realizar uma pesquisa de entidades e organizações sociais que sofriam com a carência de voluntários e, a partir desse momento, comecei a desenvolver projetos para mobilização, captação e cadastramento desses estudantes, separando-os por área de interesse, para, em seguida, realizar a conexão dos mesmos com as organizações cadastradas, conforme a necessidade de cada uma. 

 

Você chegou a ser voluntário em alguma ação/instituição? Como foi a experiência?

Minha primeira experiência foi com a criação e coordenação de cursos de informática para estudantes de baixa renda da PUC Minas, onde trabalhei por 12 anos. Nesse projeto, usávamos as dependências e a estrutura do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Em seguida, atuei como voluntário em um projeto de inclusão digital desenvolvido pela área de extensão da PUC Minas São Gabriel, por meio do qual oferecíamos cursos de informática gratuitos para moradores de uma região com alto índice de vulnerabilidade, localizada nas imediações da universidade. Atualmente, realizo palestras para idosos, jovens, crianças, gestores e voluntários de diversas ONGs pelo país.


Que tipo de entidades o Instituto Ativa auxilia?

Criamos um programa chamado Ativa Brasil, por meio do qual realizamos doações financeiras e consultoria para entidades que atuam com foco no acolhimento de crianças, adolescentes, idosos, portadores de HIV, portadores de necessidades especiais e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Repassamos recursos, tecnologia e conhecimento para essas ONGs, pois a nossa intenção é que, a médio e a longo prazos, elas possam se tornar sustentáveis.


E como se dá essa dinâmica do instituto com as entidades? Vocês são contatados por elas espontaneamente ou levantam os nomes das organizações e oferecem o serviço?

Com o apoio de uma empresa de consultoria especializada em investimentos sociais, realizamos uma ampla pesquisa para seleção, análise documental e elaboração de convênios que possibilitam doações regulares para as organizações selecionadas em várias regiões do país. A atuação do Instituto Ativa também é articulada no sentido de acompanhar e orientar regularmente todas as instituições que apoia.

Esclareça um pouco mais a atuação da Ativa. Vocês captam os recursos e os distribuem para entidades que precisam, ou desenvolvem projetos para serem implantados nessas organizações, usando o dinheiro que vocês captaram?

Trabalhamos, substancialmente, com programas sociais voltados para a geração de sustentabilidade do terceiro setor. O Instituto Ativa Brasil conseguiu desenvolver ferramentas inovadoras que possibilitam a captação de recursos por meio da iniciativa privada. Em função disso, nossa linha de trabalho consiste em prestar auxílio a outras entidades, oferecendo, além de apoio financeiro, capacitação de profissionais, organização de documentos, treinamentos, workshops, entre outros benefícios. Dentro da nossa atuação, destaco, ainda, as seguintes iniciativas: realização de palestras, simpósios e workshops voltados para a orientação e incentivo à criação de novas ONGs e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips); criação e viabilização de campanhas publicitárias visando ao incremento nas doações de diversas entidades assistenciais; patrocínios e incentivos a eventos que oferecem cultura, educação e conhecimento.


Qual o diferencial do Ativa?

Fundamentalmente, a linha de trabalho do Instituto Ativa consiste em prestar auxílio a outras entidades. Desenvolvemos ferramentas e estratégias inovadoras que possibilitam a captação e o repasse de recursos, tecnologia e conhecimento para as organizações não governamentais com foco em sustentabilidade e no desenvolvimento de projetos economicamente viáveis e socialmente justos. 


Qual o segredo do sucesso do Instituto Ativa Brasil?

Acredito que não existe segredo e, sim, muita dedicação, pesquisa e experiências que levam naturalmente à maturidade e ao conhecimento.


O que você acha fundamental para quem quer atuar neste universo?

Depende muito se a pessoa vai atuar profissionalmente ou de forma voluntária, mas nas duas situações é fundamental que haja uma total entrega, muito amor e, ao mesmo tempo, equilíbrio emocional e sensibilidade para lidar com as desigualdades e a triste realidade social que existe em nosso país.


O Ativa está entra as maiores ONGs do país. Quais são as dificuldades encontradas?

Estamos realizando investimentos de grandes proporções em programas sociais que contribuem muito para o desenvolvimento de iniciativas do terceiro setor em várias partes do Brasil. Nossa grande dificuldade é manter a captação dos recursos financeiros compatível com as demandas e expectativas geradas. Quando se trata de investimentos sociais, é muito triste ter que encerrar um projeto por falta de recursos. Sabemos que, infelizmente, a maior parte dos aportes realizados pelas empresas está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico do país. Portanto, qualquer impacto nesse sentido pode afetar diretamente nossa operação e de todas as nossas conveniadas.

Quais são os principais desafios que o profissional da área enfrenta?

Uma das grandes dificuldades das ONGs no Brasil é a gestão financeira e administrativa, pois a maioria atua de forma amadora, não tem recursos para contratar profissionais qualificados e depende quase que totalmente da atuação de voluntários.


Você pensa em continuar ampliando a atuação do Instituto Ativa?

Buscamos constantemente expandir nossa rede de relacionamento empresarial pensando em atrair novos investidores e, assim, contribuir cada vez mais para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. Essa é a transformação social que esperamos e acreditamos.

A veia empreendedora foi decisiva para transformar seu desejo em realidade?

Sem dúvida. A vontade de provocar uma grande transformação social que não dependesse necessariamente de apoios governamentais e políticas públicas foi a minha maior motivação como gestor para criar projetos inovadores que possibilitassem a captação de recursos privados, geração de renda alternativa e, consequentemente, a sustentabilidade da nossa organização e todas as que passaram a integrar a nossa rede.


Você pretende que seus filhos deem continuidade ao sucesso do Ativa?

Se isso ocorrer será uma grande realização para mim como pai. Existe uma frase de um autor desconhecido, que diz assim: “As pessoas pensam em deixar um planeta melhor para os seus filhos, mas quando é que vão pensar em deixar filhos melhores para o mundo?”. É nisso que acredito.


Se pudesse voltar no tempo, você faria tudo de novo?

Sem a menor dúvida. Os desafios são constantes e todos os dias temos sempre algo novo para aprender, por isso sou muito grato por tudo que vivi, até mesmo pelas dificuldades que passei. Acredito sinceramente que tudo de bom que a gente faz volta sempre em dobro para a nossa vida. Por isso, não me arrependo de nada.


Quais são seus planos para o futuro?

Nos últimos 12 meses investimos R$ 5 milhões em projetos culturais e programas sociais em todo o país. Até o final do ano, esperamos ampliar esse número por meio de novos investimentos que serão direcionados para treinamentos e capacitações das organizações que integram a nossa rede.

 

 

 

 





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